quinta-feira, 7 de julho de 2011
Something
Sabe como eu sei que aposto em nós? Esses dias fiz uma analogia entre seu jeito de sorrir e uma música dos Beatles. Isso não é pouca coisa, você que nunca fica satisfeito com minhas demonstrações afetivas. Isso é grande, garoto. Eu jamais, em toda minha carreira de cinco anos de feitos amorosos, ousei associar coisas como "Something" com nenhum, justamente por respeitar o poder devastador da música.
Nenhum outro foi digno de Beatles.
Você viu alguma dos caras na minha coletânea de "The Best Of Singles About My Failed Relationships"? Não. Eles sempre foram meus protegidos, os intocáveis, os blindados, sempre viveram numa espécie de bolha à prova de ondas radioativas de rejeição, as músicas que ouço quando não quero pensar em ninguém, quando não quero futucar meus dedos calejados em alguma ferida. Aí veio você e me pega desprevenida, vulnerável, apaixonada e achando realmente que encontrou uma pessoa especial na multidão.
Pronto, não consigo deixar de reviver aquela vez deitados no sofá, você dizendo que se entregaria a nós, se pudesse confiar em mim. Pois estou depositando no nosso amor toda minha confiança, como pode ver. Espero que você esteja realmente satisfeito e são da responsabilidade que é tornar-se meu sócio em todas essas faixas, as que meu pai me botava pra ouvir quando era um feto de, sei lá, seis ou sete semanas - elas me devolvem ao útero, o melhor lugar do mundo inteiro, dá pra entender? Você tem todo meu amor, os Beatles e mais um milhão de motivos pra não me magoar.
texto original de Gabito Nunes, reformulado por mim.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário